Para explicar como é Morro
de São Paulo, precisamos começar pela chegada
na ilha. Têm só três lugares para entrar: duas
pistas de pouso de taxi-aéreo e o que á mais comum,
o porto. Já se engana quem pensa que porto é aquele
lugar cheio de navios e guindastes... tudo não passa de
um trapiche, que só passou ao nome de porto por que agora
é de concreto e tem um toldinho de lona. Saindo do porto
você já se depara com um monumento de mais de trezentos
anos, o Portaló. Esse pórtico faz parte do Forte
de Morro de São Paulo, construído
para conter as invasões holandesas, lá no século
XVII. Alguém ainda se lembra dessa parte da aula de história?
Bom, em Morro é bom lembrar... a vila é quase tão
antiga quanto o próprio Brasil. Fundada em 1535, já
teve importância estratégica, principalmente nos
primeiros séculos da colonização. Não
que tenha perdido importância depois: só para citar
mais um fato histórico, foi em frente a ilha que submarinos
alemães torpedearam navios mercantes brasileiros, fazendo
o Brasil entrar na Segunda Guerra Mundial.
Continuando o caminho ladeira acima - é,
pra sair do porto e do Forte tem que subir uma ladeira (ainda
bem que é a única) - chega-se na Igreja Nossa Senhora
da Luz. Dizem que foi ela - a Nossa Senhora - que fêz os
holandeses acreditarem que havia uma grande esquadra portuguesa
na ilha e desistirem de atacar a vila. Pronto, já chegamos
na praça Aureliano Lima, a pracinha central. Aqui, de noite,
tem uma feirinha de artesanato e o Foom - o argentino mais brasileiro
de que se tem notícia - tocando música popular brasileira.
Impossível se perder. Só tem uma
rua. É só seguir o fluxo e ir desviando dos carrinhos
de mão que servem para tudo: para carregar suas malas,
as compras do mercado, as crianças, ou numa eventualidade,
até quem machucou o pé e não pode caminhar.
Carro? Nem pensar. Até existem alguns na ilha, mas nenhum
entra no vilarejo. O único veículo motorizado que
anda nas ruelas - e só de manhã cedinho - é
um trator que recolhe o lixo.
Opa, outra ladeira... bom eu
disse que a do porto era última... sim, de subir. Essa
agora é pra descer. Descer para a Primeira Praia. Sim,
e a vila, já acabou? É, pode-se dizer que sim. Daqui
em diante até é bem urbanizado ainda, mas o "centro"
já acabou.
Primeira Praia
A Primeira Praia é minúscula. São
só trezentos metros. Algumas casas de veraneiro, algumas
pousadas, umas agências. A praia é a única
da ilha com um pouco de ondas. O fundo é de areia, num
declive suave mas contínuo. Nas duas laterais há
paredes de coral. É o cenário perfeito para vários
esportes: natação, mergulho livre, mergulho com
cilindro, banana-boat, e uma coisa inusitada: a maior tiroleza
do Brasil, que acaba dentro d´água. É a praia
mais freqüentada pelos nativos, e não tem vida noturna.
Segunda Praia
Caminhando mais um pouco, passando no meio de algumas
pedras, já se chega na próxima praia. Qual seria?
Não tem como errar o nome, afinal as praias são
numeradas. A Segunda Praia é o lugar mais agitado, seja
de dia ou de noite. Essa praia nunca pára. É o lugar
de tomar banho de sol, jogar frescobol, vôlei, deitar de
barriga pra cima nas piscinas naturais. À noite é
o lugar do luau, dos inúmeros bares, danceterias, restaurantes.
A praia toda têm só quatrocentos metros, e é
cercada de arrecifes de coral, ou seja, nunca tem ondas. No final
dela está a Ilha da Saudade - que é ilha só
na maré bem alta - um dos cartões portais de Morro
de Sao Paulo.
Terceira Praia
E depois? A Terceira Praia, é claro. No
começo tem um muro enorme e é bem urbanizada. Na
segunda metade já não tem nada, só um ou
outro hotel e uma das pistas de pouso. É dessa praia que
saem os passeios para as demais ilhas. Também tem bastante
coral, embora o meio da praia seja de fundo de areia, permitindo
a entrada de todo tipo de embarcações. É
maior que as praias anteriores, com uns 800 metros.
Quarta Praia
Daqui em diante Morro de São Paulo
já é o lugar das praia desertas. A Quarta Praia
tem mais de quatro quilômetros e quase nenhum movimento.
Claro, bem no começo dela até junta uma galerinha
no meio do verão, que fica curtindo as piscinas naturais.
Mas isso é só nos primeiros 200 metros. Depois é
uma praia super tranqüila, com alguns hotéis e pousadas
e muitos, muitos coqueiros. Quer dizer que quem ficar hospedado
nessa praia vai ter que caminhar "tudo isso" de volta
até a vila? Não. Atrás da Segunda Praia começa
uma estrada que segue paralela à Terceira e à Quarta
Praia. Nessa estrada que andam os únicos veículos
da ilha. São tratores, jipes e alguns furgões, cada
um de um hotel. Antigamente esses tratores andavam pela praia,
mas hoje isso é proibido. É também por esta
estrada que se chega na segunda pista de pouso, depois da Quarta
Praia.
Praia do Encanto
Acabou? Não. Tem ainda uma "quinta"
praia, mas ela se chama Praia do Encanto. Se a Quarta já
era tranquila, essa sim, é deserta. Tem alguns hotéis,
piscinas naturais, e termina num imenso manguezal, a Ponta Panã.
Aqui acaba aquilo que se conhece por Morro de São
Paulo, mas a ilha de Tinharé (é, o nome
da ilha não é Morro de São Paulo) ainda continua.
Caminhando por uma ilha - onde é essencial ter um guia
- pode-se chegar em Garapuá, uma enseada com uma minúscula
vila de pescadores. Não convém se aventurar sozinho
nessa trilha. Se você encontrar o caminho, são 6
quilômetros desde o final da Praia do Encanto. Da vila de
Morro até Garapuá dá uns 14 quilômetros.
Depois de Garapuá tem mais uns 10 quilômetros de
praia deserta, o Pontal, ou Pratigi. Acaba no Rio de Inferno,
que divide a ilha de Tinharé da ilha de Boipeba.
Gamboa
E o outro lado da ilha? Bom, voltando lá
pro porto da vila... onde chegamos, pode-se seguir para o outro
lado. Depois de passar por algumas pedras, chega-se na praia do
Porto de Cima. Se a maré estiver baixa, dá pra caminhar
até a Gamboa. Lá tem um clube de vela, onde se pode
alugar veleiros de todos os tamanhos, e diversos bares e restaurantes.
Gamboa é um povoado de pescadores, mas hoje abriga muitos
dos trabalhadores de Morro de São Paulo.
É uma ótima praia para passar o final de tarde.
A parte da ilha voltada para o continente não
tem praias, só manguezais. Há mais dois povoados:
Galeão e Canavieira. O primeiro tem uma igrejinha no alto
de um morro, visível de muito longe. O segundo tem um criatório
de ostras. E o "miolo" da ilha? Essa parte ainda é
praticamente como quando os portugueses chegaram aqui: grande
áreas de mata atlântica, restingas e manguezais.
Falta mais alguma coisa? Só você!
Como chegar
Saindo de Salvador,
há taxi-aéreo a partir do Aeroporto Internacional,
que leva só 20 minutos. Do Mercado Modelo, perto do Pelourinho,
saem os catamarãs, que levam cerca de duas horas até
Morro de São Paulo. Para quem está
de carro, uma outra opção é ir até
Valença, e de lá ir de lancha até a ilha,
que demora cerca de 40 minutos.
Onde ficar
Visite o guia de hotéis e pousadas de Morro
de São Paulo e faça já sua reserva!
Dicas imperdíveis de Morro de São
Paulo
Prainha do Forte: Além das praias
mais conhecidas Morro de São Paulo guarda outras preciosidades
como a Prainha do Forte, que fica no final das ruínas da
Fortaleza e aparece na maré baixa. Frequentada mais pelos
moradores é um lugar sossegado e perfeito
para relaxar dentro das piscinas naturais.
Andar de caiaque: Alugue um caiaque e
se aventure pelas águas da Terceira Praia, próximo
a Ilha do Caitá e se quiser ou tiver fôlego siga
até a Primeira e Segunda Praia. Com o mar calmo, além
de um exercício, é ótimo para conferir a
paisagem.
Mergulhar: Em toda as praias de Morro
de São Paulo você pode mergulhar com apenas com máscara
e snorkel. Em algumas é melhor quando a maré está
baixa, próximo dos arrecifes. As piscinas naturais do início
da Quarta Praia são um ótimo ponto para iniciantes.
Conhecer a história de Morro de São
Paulo: Além da Igreja e do Forte, Morro de São
Paulo também mostra sua importância histórica
pela Fonte Grande - foi o mais avançado sistema de tratamento
de água do Brasil colonial, o Farol – guia os navegadores
desde 1855 e o Casarão, construído em 1608 e abrigou
ninguém menos que D. Pedro II e a Marquesa de Santos.
Pôr do sol no Forte: Além
da prainha e da importância histórica, o Forte de
Morrro de São Paulo é o cenário perfeito
para curtir o final do dia - o pôr do sol e se você
tiver sorte os golfinhos!
As baladas: Morro de São Paulo
é mundialmente conhecido pelas belas paisagens, mas também
é sinônimo de festas. De segunda a domingo tem uma
festa para você curtir, seja na beira da praia ou dentro
das casas noturnas. O ritmo frenético vai até o
amanhecer!
Visitar Garapuá: Isolada das demais
praias de Morro de São Paulo, Garapuá é a
única praia da ilha que apresenta o fundo totalmente de
areia. Tem um pequeno povoado pitoresco que recebe muito bem seus
visitantes.
Moreré e Bainema: De dezembro a
março acontece um passeio que visita as praias de Moreré
e Bainema, as mais bonitas da ilha de Boipeba. Além disso
visita as piscinas naturais de Moreré, ótimo ponto
para mergulho livre e ver centenas de peixinhos.
Observar as baleias jubarte: De julho
a outubro as baleias Jubarte permanecem no litoral de Morro de
São Paulo e se pode avistar mãe e filhotes bem próximos
da costa. Há uma agência especializada nesse tipo
de passeio, chamado de "whale watching", que é
uma experiência inesquecível!
Melhor época para visitar
De outubro a março, quando a água é mais
transparente. Janeiro e fevereiro são bem movimentados
(e um pouco mais caros). De abril a junho é a estação
de chuvas. |
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